O quadrado

Em uma noite “in vino veritas”, recebi uma sacudida de uma querida amiga. Uma espécie de “open your eyes, dear” ou “wake up”…
Bom, o fato é que é muito bom receber constatações de quem gosta e se preocupa com a gente. Por isso, fiquei refletindo sobre o assunto. Ainda não sei a que conclusões cheguei ou chegarei, mas tenho que concordar com a minha querida e caríssima amiga em alguns pontos. A teoria dela é a seguinte: meu quadrado é muito rígido. É necessário preencher inúmeros e complexos requisitos para que se possa ingressar no meu quadrado. E, às vezes, devo descartar homens interessantes simplesmente porque não atendem a algum desses requisitos. Ou seja, ou o homem se encaixa perfeitamente no meu quadrado ou não tem a menor chance.
É possível que ela tenha razão. Bem, eu já sabia que tenho uma lista extensa e complexa, mas nunca tinha visto por esse ângulo ou talvez não estivesse pensando realmente sobre isso. O modo automático estava em funcionamento e pronto.
Tenho refletido a respeito e tentado avaliar se há algum requisito que possa ser reconsiderado, superado, flexibilizado ou mesmo suprimido. Ou seja, estou trabalhando para a expansão do quadrado, ou seria flexibilização do quadrado. Quem sabe fazer do quadrado um círculo…
Isso me lembrou uma crônica da Martha Medeiros que dizia que idealizamos o amor (grande novidade!) e que, quando ele bate à nossa porta de uma forma diferente da que imaginamos, a tendência é não aceitá-lo. Será que fazemos isso mesmo? Mas e de que adiantaria aceitá-lo se previamente soubéssemos que não funcionaria exatamente pela ausência de um dos famigerados requisitos da lista?
Complexo, complexo, complexo… Ou seria tudo simples demais?
Where is the wine, please?
🙂

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4 comentários sobre “O quadrado

  1. Como já tivemos oportunidade de conversar a respeito, já sabe que concordo com o diagnóstico da carissima amiga e me parece que a Martha Medeiros tem boas chances de ter acertado na essência também quanto à rejeição. A velha história de que “o ótimo é inimigo do bom”. Pra quem não conhece a frase, ela quer dizer que deixamos de fazer (ou conquistar) o bom porque continuamos buscando o ótimo incessantemente. Mas o fato é que às vezes dá pra transformar o bom em ótimo. A diferença é que precisamos lapidar um pouco. Nem tudo chega pronto às nossas mãos.

    A resposta intencionalmente simples à sua pergunta é que para aumentar as chances de dar certo, você precisa filtrar sua lista. Priorizar as coisas. O essencial primeiro. Quais são os itens mais imporantes, sine qua non, que o candidato precisa apresentar? Tendo isso em mente, diminuem as chances de deixar entrar alguém que se mostrará inviavel com o andar da carruagem. Os outros pontos acessórios vão sendo avaliados e lapidados. Trabalhoso? Certamente. Às vezes o amor chega fácil mas outras vezes precisa ser garimpado mesmo.

    Good luck and good wine!

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  2. Complementando o tópico principal e deixando de lado meu comentário anterior…

    Estava me lembrando do Tutuca. Pra quem não conhece o nome, Tutuca é um comediante que criou uma personagem que a maioria de vocês vai reconhecer, se não pelo nome, pelo bordão. Era o faxineiro Clementino que dizia pra secretária boazuda: “Ah se ela me desse bola!”

    (Adendo: recordar é viver)
    Perfil – http://pt.wikipedia.org/wiki/Tutuca
    Imagem – http://www.telehistoria.com.br/canais/images/tutuca-200×150.jpg

    O fato é que a secretária dava bola, dava bandeira, dava pro idiota o que ele quisesse e nada! Pois é. Gente assim me irrita profundamente. Tantos homens e mulheres por aí procurando sua cara metade e um punhado de clementinos desperdiçando chances como se o Tico tivesse rompido relações com o Teco em caráter definitivo.

    Você certamente conhece alguém assim. Eles estão por aí, andando impunemente, anonimamente pelas ruas. Você nem percebe que ele é um clementino até que a mulher que o ama jogue aquele charme pra cima do boneco e nada! Aí você vê que mesmo que ele fosse atingido por um caminhão ele não perceberia. Às vezes, muito raramente, o gênio percebe que estavam querendo “lhe dizer alguma coisa” mas o faísca atrasada demorou tanto pra entender que a oportunidade passou. Como se diz aqui nos pampas, o cavalo passou encilhado e o cara não montou. Opa! Olha a mente suja, hein? É só um dito popular.

    Enfim, se você conhece alguém assim e vê que ele está deixando escapar a chance de ouro da vida dele, pegue-o pelo cangote, dê-lhe um pescoção, aponte o sujeito para a direção certa, diga-lhe ao pé do ouvido o que ele ainda não entendeu e dê-lhe um bom pontapé na bunda pra ele se mexer. Fazendo isso você vai provar que é um grande amigo dele. Porque qualquer coisa menos que isso, já era. O cavalo vai passar encilhado e… Bom, você já entendeu, né? Mas ele não. Portanto. mãos à obra!

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  3. Quem será esta amiga? seja quem for esta é, penso, a principal tarefa das pessoas que se preocupam com a gente: dizer coisas que não temos coragem de admitir pra nós mesmos. Espero sempre contar com tua sinceridade, pois esta é a riqueza da interação de seres tão deistintos (e ao mesmo tempo tão semelhantes) quanto nós; big kisses, friends for ever!

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