Vamos falar sobre monitorização contínua de glicemia? Ou melhor, vamos falar sobre o FreeStyle Libre da Abbott?

sensor

Eu nunca tive problemas com os testes de glicemia capilar, nunca me incomodaram. Relutei bastante tempo para usar o Libre porque achava muito caro e achava que seria difícil mantê-lo. Porém, desde que comecei a usar o Libre, em setembro de 2016, nem consigo imaginar minha vida sem ele. Logo no início, tivemos uma relação meio conflituosa, mas depois foi e é só amor. Tanto que nunca interrompi o uso. Uso de forma ininterrupta desde setembro de 2016 e já estou no 17º sensor, indo para o 18º. Continuo achando que não é barato, mas reorganizo minhas finanças e corto o que precisar para manter o uso, pois é muito prático e eu amo praticidade!

Primeiramente, vamos a alguns detalhes técnicos. Usamos a palavra glicemia constantemente. Porém, na realidade, glicemia significa a glicose no sangue. O Libre, assim como outros sensores de monitorização contínua, tais como os das bombas de insulina, fazem a medição da glicose no líquido intersticial. Logo, não seria tecnicamente correto falarmos em glicemia e sim em glicose, mas, como o termo glicemia já é amplamente utilizado, vamos deixar assim, ok? Porém, vocês agora já sabem que, sempre que falarmos em glicemia lida pelo Libre ou por outro sensor, na verdade estamos falando do valor da glicose no líquido intersticial, certo? E glicemia sempre é a resultante do teste capilar, a famosa ponta de dedo ou dextro, pois esse é feito realmente com uma gota de sangue (ou o resultado de um exame convencional de sangue, aquele feito em laboratório). 😉

Em segundo lugar, recomendo que você visite o site oficial do FreeStyle Libre. Lá tem muita informação, muito material. Vale a pena.

Como eu já disse, o Libre faz a leitura da glicose no líquido intersticial. Então, funciona assim: você instala o sensor com o aplicador que vem junto com cada sensor e inicia o sensor com o leitor e aí deve aguardar 60 minutos para que comece a funcionar. Para o primeiro sensor que você usar na vida, poderá demorar até 72 horas para que as leituras do sensor se aproximem à ponta de dedo porque é necessário que a cânula do sensor esteja absolutamente encharcada de líquido intersticial. A cada sensor que você usar, desde que não haja interrupção, a tendência é de que esse tempo diminua, pois o seu organismo já estará adaptado à cânula do sensor e ficará cada vez mais fácil “assimilá-la”. Eu já estou no 17º sensor, dentro de uma semana colocarei o 18º sensor, e atualmente minhas leituras levam menos de 24 horas para se aproximar dos resultados dos testes capilares. Eu costumo conferir as leituras com os testes capilares nas primeiras 24 horas de uso de cada sensor ou até que ele esteja “calibrado”, que os resultados sejam compatíveis.

Vale lembrar que sempre haverá uma pequena diferença entre o resultado da glicemia (do teste capilar) e o resultado da glicose no líquido intersticial, sendo que a própria Abbott reconhece que tal diferença é tolerável até um limite de aproximadamente 10%. Isso acontece porque, ao ingerirmos qualquer carboidrato, por exemplo, a glicose entra primeiro na corrente sanguínea e leva um certo tempo até chegar no líquido intersticial. Assim, quando a glicose no sangue já está alta, por exemplo, a glicose do interstício (líquido intersticial) ainda está em elevação. E o mesmo acontece quando há declínio da glicose; ou seja, a glicose no sangue desce antes da glicose no interstício. Por isso, se recomenda aguardar 10 minutos entre o teste capilar e a leitura do sensor para obter resultados mais próximos. Ou seja, raramente os resultados serão exatamente iguais. Porém, em momentos de estabilidade glicêmica, os resultados tendem a ser bem aproximados.

Além da praticidade (afinal, é muito prático medir a glicose apenas passando o leitor sobre o sensor), outra vantagem do Libre é que ele mostra as tendências da glicose. O Libre mostra, através de setas no display do leitor (que aparecem ao lado do valor da glicose), a tendência de comportamento da glicose, se ela está estável, se está subindo gradativamente, se está subindo rapidamente, se está descendo gradativamente ou se está descendo rapidamente. Dessa forma, você consegue se antecipar aos acontecimentos, tomar melhores decisões, agir, evitar hipoglicemias e hiperglicemias. Isso também proporciona um grande auto-conhecimento do seu organismo, do seu corpo, do seu funcionamento e de como você reage a cada evento, a cada coisa que te acontece.

Vejam a seta de tendência:

estab

E como funciona exatamente o sensor? A cada minuto, o sensor mede automaticamente os níveis de glicose e armazena as leituras em intervalos de 15 minutos, durante 8 horas. Quando é feita a leitura, o sensor transmite automaticamente 8 horas de dados para o leitor. E é me razão disso que não se recomenda ficar mais de 8 horas sem escanear o sensor. Mas, acredite em mim, não há a menor chance de isso acontecer. Logo no início, a coisa se torna meio viciante e você faz leituras a cada cinco minutos. Aliás, até hoje eu faço inúmeras leituras por dia porque é muito fácil basta estender a mão até o sensor.

Outra dúvida muito comum é sobre a aplicação do sensor. Cada sensor vem com um aplicador que é uma espécie de carimbo. A agulha do aplicador serve somente como guia para permitir que a cânula, um filamento estéril de 5 mm, possa penetrar a pele. Quando você retira o aplicador, a agulha vem junto e, na verdade, você nem vê a agulha. A aplicação é recomendada na parte posterior superior do braço.

Você pode utilizar o sensor por 14 dias. Pode tomar banho, fazer exercícios, sem problemas. O sensor fica preso à pele por uma camada adesiva. Para mim, o adesivo sempre grudou e segurou muito bem. Nunca tive problemas nesse sentido. Sei de pessoas que possuem alguma dificuldade e utilizam fitas como Kinesio Tape ou Tegaderm para reforçar e não deixar o sensor cair.

Para banhos de imersão, como piscina ou mar, não é recomendado exceder 30 minutos. Assim, nesses casos, fique na água por no máximo 30 minutos, saia, espere secar um pouco, tome um sol e, depois, volte novamente à água por mais 30 minutos. Também há uma recomendação para não ultrapassar uma profundidade máxima de 1 metro. 😉

A venda no Brasil, por enquanto, é feita exclusivamente pela Onofre, através do site ou do tele-vendas. Você compra primeiro o kit inicial onde vem o leitor. Depois, você vai comprando apenas os sensores (lembrando que cada sensor dura 14 dias).

Muitas pessoas questionam se vale a pena usar o sensor se não conseguirão manter o uso contínuo. Eu sempre aconselho a usar pelo menos um ou dois sensores. Ou usar esporadicamente, conforme a necessidade. Mesmo que você não consiga manter o uso contínuo, é legal usar por um tempo para que você se conheça melhor, para que você possa entender como a sua glicose se comporta, suas tendências e, depois, com base nesse auto-conhecimento proporcionado pelo Libre, possa usar essas informações quando voltar aos testes capilares. E, se você puder reorganizar seu orçamento, fazer cortes aqui e ali, e priorizar o uso contínuo do Libre, na minha opinião, vale cada centavo.

Antigamente, por exemplo, quando eu precisava medir minha glicemia durante a noite, para conferir se estava com hipo ou com hiper, eu precisava acender a luz, levantar da cama, ir até o banheiro para lavar as mãos, sentar na cama, abrir o estojo do glicosímetro, abrir o pote das fitas, pegar uma fita, pegar o lancetador, preparar o dedo, furar, aplicar a gota de sangue na fita e aí ter o resultado da glicemia. E esse ritual todo era assim em qualquer ocasião ou lugar. Hoje, eu simplesmente passo a mão no leitor do Libre, aperto o botão, aproximo o leitor do sensor para escanear e pronto: o resultado da glicose no interstício aparece na tela do leitor. Simples assim! Durante a noite, deixo o leitor na mesa de cabeceira e faço a leitura da glicose em questão de segundos.

É possível viver sem o Libre? Sim, é perfeitamente possível. É possível ter um bom controle sem o Libre? Sim, é perfeitamente possível. Porém, se você puder usar o Libre de forma contínua, é simplesmente maravilhoso! Para mim, o Libre é um verdadeiro divisor de águas.

O leitor do Libre também aceita tiras reagentes para medição de glicemia (a glicose no sangue, lembram?) e para medição de cetonas (importante em casos de hiperglicemia, mas esse assunto rende outra postagem). As fitas utilizadas são a do FreeStyle Optium.

libre fitas

E sobre a relação conflituosa que eu e o Libre tivemos no início? Bem, durante todo esse tempo, eu tive problema apenas com três sensores. O segundo sensor que eu usei simplesmente parou de funcionar no sétimo dia. A Abbott efetuou a troca desse sensor. O terceiro sensor que eu usei teve problema na aplicação, não conseguia fazer leituras porque não penetrou a pele, a cânula ficou dobrada. A Abbott também fez a troca. O oitavo sensor que usei começou a dar problema nas leituras, dando uma diferença de 50 mg/dL em relação à glicemia capilar. Nesse caso, a Abbott não quis trocar, o que foi péssimo, alegou que as diferenças eram normais, mas não eram pois o tolerável é cerca de 10%. Porém, resolvi usando aplicativos no celular (Glimp e Liapp) para fazer as leituras do sensor (pois davam resultados bem confiáveis). De lá para cá, felizmente, não tive mais nenhum problema. Logo, não posso reclamar.

Diante desses episódios, ficaram alguns aprendizados que agora divido com vocês:

1 – Guarde sempre a embalagem do sensor para casos de eventuais trocas. Se você precisar trocar, você precisará informar o número de série do sensor que se encontra no fundo da caixa (também está gravado no sensor, mas é mais fácil olhar na caixa). Além disso, a Abbott recolhe o sensor defeituoso para testes em seus laboratórios de forma a prevenir erros futuros.

2 – Use preferencialmente as fitas da própria Abbott para comparar os resultados da glicose no interstício e da glicose no sangue. E não esqueça de aguardar 10 minutos entre as medições da glicose no sangue e da glicose no interstício. Faça primeiro o teste capilar, aguarde 10 minutos e depois faça a leitura da glicose no interstício.

3 – Os aplicativos Glimp e Liapp podem ser bons aliados. Você precisa apenas de um celular com tecnologia NFC (Near Field Communication). Os resultados das leituras feitas por esses aplicativos são bem aproximados aos resultados de glicemia capilar.

Bem, acho que é isso. Foi “textão” de novo, mas gosto de fazer assim para tentar abordar todos os pontos principais e deixar bem completo. Se você ainda ficou com alguma dúvida, basta perguntar.

PS: Esqueci de dizer que você pode baixar o software do Libre diretamente do site e instalar no computador. Dessa forma, conectando o Libre ao computador com o cabo próprio que o acompanha, você dispõe de várias relatórios que podem ser salvos ou impressos e permitem um bom acompanhamento do seu controle glicêmico.

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