Por que há tantos diabéticos tipo 1 com sobrepeso e o que pode ajudar? – Livre tradução do artigo de Sysy Morales para Diabetes Daily

Entre as minhas leituras, encontrei esse artigo de Sysy Morales e achei muito interessante. Tomei, então, a liberdade de fazer uma livre tradução para compartilhar e, assim, ajudar a disseminar informação. Segue:

Por que há tantos diabéticos tipo 1 com sobrepeso e o que pode ajudar?

Por Sysy Morales – Diabetes Daily – 28 de fevereiro de 2018

Link original: https://www.diabetesdaily.com/blog/why-are-many-people-with-type-1-diabetes-overweight-and-what-can-help-548074/

Em livre tradução por Daniela Annes Spera

Por grande parte do último século, diabéticos tipo 1 foram conhecidos como pessoas magras. Pois eles realmente eram.

Logo após do advento da insulina – que marca o início da sobrevivência de diabéticos tipo 1 – o manejo da condição se dava basicamente pelo método de tentativa e erro. Métodos para medir a glicemia eram brutos e os diabéticos tipo 1 não eram tão longevos quanto são agora. O manejo/controle do diabetes era tão pobre que muitos lutavam para manter o peso devido à produção de cetonas oriundas de glicemias muito elevadas.

Por volta do ano 2000, esse estereótipo ainda existia. Nessa época, era comum que eu ouvisse “você não tem diabetes tipo 1, você não é magra o suficiente”. Como muitos diagnosticados com diabetes tipo 1, ganhei peso devagar mas continuamente após o diagnóstico.

Atualmente temos tantas ferramentas excelentes para controlar o diabetes tipo 1 que ajudaram a controlar a condição como nunca antes havia sido possível. O problema é que uma epidemia de obesidade está crescendo de forma acelerada entre os diabéticos tipo 1. Na verdade, um estudo mostrou que diabéticos tipo 1 podem ter taxas maiores de obesidade do que a população em geral. (Artigo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25780841)

Cobrir carboidratos com insulina é complicado

Um dos motivos pode estar relacionado com a maneira como os tipo 1 eram tratados no passado e são tratados nas últimas duas décadas. Aqueles diagnosticados no início dos anos 90 dispunham somente de insulina NPH e Regular e eram colocados num regime rígido de horários precisos para as aplicações de insulina, para as refeições e quanto às gramas de carboidratos. Nos era dito para não consumir doces mas fomos encorajados – pelo menos eu fui – a consumir muitos carboidratos complexos.

Isso não resultou num bom controle glicêmico e era péssimo ter que esperar horas antes de poder corrigir uma hiperglicemia, mas isso impediu que muitos desenvolvessem cetoacidose diabética. Muitos ganharam controle suficiente para impedir a perda de peso.

Então, fomos apresentados às novas insulinas análogas, como Humalog e Novolog (no Brasil, NovoRapid). Chegaram as bombas de insulina. Ficou mais fácil conquistar um controle glicêmico preciso graças ao progresso na tecnologia e na frequência da monitoração da glicemia. Com essas insulinas de rápida ação, foi dito aos diabéticos tipo 1 que poderiam comer como não diabéticos e simplesmente aplicar insulina para cobrir a ingesta de carboidratos.

O problema é que, quanto mais insulina você aplica para cobrir a ingesta de carboidratos, maior se torna a margem de erros. Além disso, é dificil igualar a ação da insulina precisamente à ação de tantas gramas de carboidratos, sem falar nos diferentes tipos de carboidratos e das proteínas e das gorduras.

É típico para os tipo 1 corrigirem glicemias pós prandiais, não é mesmo? Toda vez que corrigimos uma glicemia de 200 mg/dl, sabemos que em poucas horas há grandes chances de a glicemia estar acima ou abaixo do alvo que pretendíamos alcançar. Muitos sofrem de um efeito “iô-iô” entre tratar hipos e corrigir hipers. O ganho de peso se torna, então, praticamente inevitável.

Eu mesma costumava consumir cerca de 11000 calorias por ano apenas para tratar hipoglicemias. Eu não cortava calorias de outras fontes nutricionais, então não é surpreendente que eu tenha ganho peso a cada ano por conta disso. Me tornei obesa aos 17 anos.

Se ganhar algum peso extra é o preço para conquistar um melhor controle glicêmico, estudos mostram que isso é melhor do que ter um controle glicêmico ruim, porém deve existir uma forma confiável de conquistar tanto um ótimo controle glicêmico quanto os benefícios de se ter um peso saudável.

Reduzindo carboidratos para auxiliar o emagrecimento de diabéticos tipo 1

Alguns diabéticos tipo 1 reduzem o consumo de carboidratos para não necessitarem aplicar grandes doses de insulina bolus. Isso os ajuda a evitar aplicar grandes doses de insulina para correção de forma que uma correção não se torne tão facilmente em uma hipoglicemia que exija o consumo de mais calorias.

Em um estudo recente, pesquisadores revisaram os dados para verificar o que pode ajudar pacientes com diabetes tipo 1 que também apresentam sinais clínicos de diabetes tipo 2 ou duplo diabetes. Os pesquisadores afirmaram que “geralmente por volta de 50% dos pacientes com DM1 estão com sobrepeso ou obesos”, ressaltando a necessidade de atacar esse problema. (Artigo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28836234)

Considerando o que os pesquisadores descobriram que pode ajudar os DM1 a emagrecer, eles escreveram: “a terapia nutricional inclui reduzir as calorias ingeridas e prover um plano alimentar estruturado que seja baixo em carboidratos e índice glicêmico com maior consumo de fibras e proteínas”. (*lean proteins – obtidas pela ingesta de carne e peixe, devendo conter menos de 3 g de gorduras e cerca de 50 calorias por porção)

Coincidentemente, quando emagreci 18 kg, o fiz reduzindo o consumo de carboidratos e comendo refeições como frango à marinara e queijo acompanhado por brócolis.

Os pesquisadores acrescentaram que exercício físico é importante e deve incluir alongamento, aeróbico e treinos de resistência. Também referiram que medicamentos anti-obesidade podem ser considerados e, como um último recurso, cirurgia bariátrica. Os pesquisadores ainda incluíram recomendações sobre que tipos de insulina parecem evitar o ganho de peso, bem como maiores detalhes sobre dieta e exercícios. Se você está interessado em saber mais, leia o artigo (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5569154/).

Em suma, os pesquisadores deixaram claro que conquistar um bom controle glicêmico é muito importante mas conquistar um peso saudável também é. Há uma clara tendência entre os diabéticos tipo 1 para experimentar um consumo reduzido de carboidratos de forma a conquistar um controle glicêmico mais fácil de administrar e o estudo mostra que essa conduta também auxilia o emagrecimento.

Nota: Sysy Morales vive com DM1 há 23 anos e escreve no blog The Girls Guide to Diabetes (http://thegirlsguidetodiabetes.com/).

 

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